A Contabilidade, como diversas outras profissões, passa por um momento de transformação. Apenas para refletir, coloco algumas questões que entendo ser necessário ponderar, sobre esse processo. Ultimamente temos visto empresas oferecendo serviços contábeis em forma de “pacote de benefícios”, colocando o processo contábil como algo puramente tecnológico e automatizado.

Talvez seja acertado exigir, por meio, de entidades de classe, que tais empresas sejam mais claras e éticas ao oferecerem tais serviços. O CRC RS – Conselho Regional de Contabilidade do Rio Grande do Sul emitiu um parecer sobre instituições financeiras que assumem a contabilidade de empresas. De acordo com a entidade “a medida pode ser prejudicial para a saúde dos negócios. Uma entidade que se propõe a oferecer serviços financeiros não tem a imparcialidade necessária para oferecer serviços contábeis que atendam às necessidades da empresa”. Afirma ainda que a “parceria comercial entre bancos e empresa contábil demonstra um flagrante conflito de interesses com consequências que podem ser desastrosas para o futuro do seu empreendimento”.

A 4ª revolução industrial já chegou. Informamo-nos a respeito e vivenciamos no dia a dia seu efeito: Ifood, Uber, reuniões à distância, comunicação instantânea, entre outros. Existem estudos de que muitas crianças que têm entre 08 e 12 anos hoje, trabalharão em uma profissão que ainda não existe. Não é só a contabilidade que está passando por modificações. Quase todas as profissões correm sérios riscos de sofrerem alterações, serem substituídas por aplicativos.

Estamos perdidos? Não sei. Assusta? Sim. Mas todas as revoluções industriais foram salutares para a humanidade. Hoje vivemos muito melhor. Por isso continuo com a minha tese de que devemos nos movimentar em prol da nossa profissão. Reinventar, lutar por ela, estar em constante processo de qualificação e mostrar para a sociedade que a tecnologia faz um trabalho automatizado, básico, simples e rotineiro. A verdadeira contabilidade conta um trabalho de profissionais, consultores, que se dedicam a prestar um trabalho personalizado, com foco em cada um de seus clientes, prestando informações relevantes que objetivam o crescimento, planejamento e estruturação de cada um deles. São ações especializadas que dependem de decisões humanas.

Ainda entendo que as parcerias, principalmente tecnológicas, são fundamentais. É necessário investir em marketing, educação continuada, manter a lealdade profissional entre colegas do segmento, cobrando preços justos, de forma não desvalorizar a classe, cobrando valores abaixo da média. Por todos esses motivos, ainda acredito que só conseguiremos nos fortalecer e valorizar a nossa profissão, por meio das ações que podemos e devemos promover junto às entidades contábeis.

Empresários da contabilidade, a Casa do Contabilista está de portas abertas para que juntos, possamos fortalecer o segmento por meio de nossas ações. Associe-se, vamos construir juntos, alternativas para que nossa profissão ocupe um lugar digno perante a sociedade, mostrando que a principal finalidade da Ciência Contábil é o auxílio da gestão e a geração de controles e informações acerca do patrimônio das entidades, criando valores para as organizações.

ANA CORSINO PICÃO – presidente da AESCON (Associação dos proprietários de Escritórios de Contabilidade de Ribeirão Preto)

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